Biritiba-mirim

O território de Biritiba Mirim pertenceu a Mogi das Cruzes até 1963. Explorado durante muito tempo por sertanistas e bandeirantes, o local só veio a se constituir em povoado por volta de 1820.

Desde o período colonial moradores e representantes da administração de Mogi das cruzes já andavam pela região, servidas pelas águas do rio Tiete – fonte segura de sobrevivência e de localização geográfica à aqueles que se predispunham a desbravar matas tão fechadas. É inegável que o local tenha sido ponto de passagem de bandeirantes e viajantes que expandiam limites territoriais do Brasil colonial e, conseqüentemente, dos domínios do Rei de Portugal. Entretanto como se sabe, estes homens não estavam oficialmente a serviço do monarca, apenas tinham o interesse de enriquecer por meio de tráfico de índios ou da localização de jazidas auríferas.

Posteriormente, a região de Biritiba Mirim caracterizou-se como local de passagem dos tropeiros que, ao dirigirem-se as feiras de gado, vinham antes a zona rural de Mogi das Cruzes adquirir gêneros alimentícios e de higiene, tais como carne seca, farinha, sabão, entre outros. Segundo a tradição, estes viajantes tinham o hábito de fincarem cruzes na terra ao longo dos caminhos por onde passavam, com várias finalidades: orientar os próximos viajantes, demarcar espaços por onde havia passado pessoas católicas ou, simplesmente rezar. Um dos caminhos que surgiu desta prática deu origem à estrada de Santa Catarina, que beira o rio Tietê, ao longo da qual surgiu o primitivo povoado da região.

Foi em local já repleto de cruzes que se construiu, em 1873, a primeira capela de Biritiba Mirim, consagrada a São Benedito, que marca a data de fundação do povoado. Embora um pequeno aglomerado de casas já houvesse se formado em torno de Santa Catarina, o ponto central de devoção popular era a capela de São Benedito, que vivia a se tornar Igreja Matriz de Biritiba. Diz a tradição popular que foi Firmina, uma menina de dez anos, que motivou a construção da capela. Acredita-se que esta era capaz de, com sua fé, fazer profecias, multiplicar alimentos e curar pessoas. Firmina teria vivido em um dos poucos sítios da redondeza em meados de 1820. Muitas eram as pessoas que visitavam a região especialmente para conhecê-la.

Até 1890 o povoado que havia se formado em torno da capela de São Benedito contava com um número muitas vezes maior de habitantes do que o de Santa Catarina. Tanto é que em 1892 a administração de Mogi das Cruzes criou na localidade, um distrito policial. Em 1924 a pequena vila, conhecida como Capela de São Benedito, foi promovida a Distrito de Paz de Mogi das Cruzes e ganhou um subprefeito. Nessa época a primitiva capela já havia dado lugar a uma construção mais portentosa, iniciada em 1902. Em 1925 criou-se o cartório de registro civil e em 1927, foi construída a igreja de Santa Catarina, no local onde ainda persistia o povoamento mais antigo.

Em 1929 estabeleceram-se na localidade, já chamada Biritiba Mirim, os primeiros imigrantes japoneses, que logo passaram a ter uma grande participação a economia do município, por meio do cultivo de hortifrutigranjeiros. Ainda hoje a agricultura é a fonte básica de renda da região. Neste aspecto também a relação à ausência da estrada de ferro, as histórias de Biritiba Mirim e Salesópolis convergem. Embora bem menos afetada pela Lei dos Mananciais, Biritiba encontra-se num caminho de desenvolvimento similar ao de Salesópolis, investindo no potencial ecológico da localidade. Uma das primeiras ações nesta direção ocorreu em 1939, durante a gestão do governador Adhemar de Barros, quando foi inaugurada pela Sabesp a Estação de Tratamento de Águas de Casa Grande, que passaria a abastecer parte da Grande São Paulo.

Ainda em 1929 inaugurou-se a estrada estadual que liga Salesópolis a São Paulo, passando por Biritiba. O primeiro grupo escolar só surgiu em 1950.
Em 1962 a Igreja de São Benedito tornou-se paróquia, acompanhando desta maneira o desenvolvimento da localidade. Em 1963, pela Lei municipal 8.050 de 31/12/1963, Biritiba Mirim tornou-se município.

Biritiba Mirim possui uma área de 316,8 km2, contando hoje com 20.686 habitantes urbanos e 3.967 habitantes rurais, num total de 24.653 moradores.

Esta área é de grande importância, pois faz parte do “cinturão verde”, que abastece a grande São Paulo, com plantação de alface, escarola, salsinha, cebolinha, etc irrigadas com as águas do Rio Tietê.

Fonte: http://www.riotiete.com.br/rota.htm

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